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terça-feira, 8 de julho de 2014

Autopsicografia - Fernando Pessoa


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

O Esquizofrênico - Ezequiel Jaison Albino



Temos o direito de amar e ser feliz

A vida foi injusta

Estamos superando o preconceito

Vamos mostrar a nossa capacidade

Não somos normais


Mas também não somos loucos

Nós amamos e queremos ser amados

Sofremos

E entendemos

Que esse é o vínculo

Para sermos aceitos na sociedade

Corrigimos os erros que cometemos

E seguimos em frente

Somos dignos da liberade!

Poesia escrita por Ezequiel Jaison Albino, "um jovem, muito jovem, poeta que expressa em seus talentosos escritos toda a sua extensa vivência com transtorno mental."
Confira mais clicando aqui.

Pra quê?- Florbela Espanca


Ao velho amigo João
Para que ser o musgo do rochedo
Ou urze atormentada da montanha?
Se a arranca a ansiedade e o medo
E este enleio e esta angústia estranha

E todo este feitiço e este enredo
Do nosso próprio peito? E é tamanha
E tão profunda a gente que o segredo
Da vida como um grande mar nos banha?

Pra que ser asa quando a gente voa
De que serve ser cântico se entoa
Toda a canção de amor do Universo?

Para que ser altura e ansiedade,
Se se pode gritar uma Verdade
Ao mundo vão nas sílabas dum verso?